segunda-feira, 21 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
Saiba Morrer O Que Viver Não Soube
Meu ser evaporei na lida insana
do tropel de paixões que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
em mim quase imortal a essência humana.
De que inúmeros sóis a mente ufana
existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
ao mal, que a vida em sua origem dana.
Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta e si não coube,
no abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus, ó Deus!... Quando a morte à luz me roube
ganhe um momento o que perderam anos
saiba morrer o que viver não soube.
do tropel de paixões que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
em mim quase imortal a essência humana.
De que inúmeros sóis a mente ufana
existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
ao mal, que a vida em sua origem dana.
Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta e si não coube,
no abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus, ó Deus!... Quando a morte à luz me roube
ganhe um momento o que perderam anos
saiba morrer o que viver não soube.
*Leia: Saiba descer o que subir não soube - paródia de Olavo Bilac
Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805), nasceu em Setúbal, Portugal
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Dia Triste
Hoje o sol não deu as caras. Eu normalmente já não curto dias nublados, mas parece que hoje está ainda pior.
Meus cães mais novos, a Bianca e o Amendoim, de 4 anos de idade, não estão adaptando-se ao apartamento. Eles querem liberdade. Querem poder ir e vir, querem poder ir e poder ficar. Decidi que vou levá-los para os meus pais, que moram em casa. O detalhe é que vou morrer de saudades dos meus bichinhos, que vi nascer, que pego no colo desde o início de suas vidas. Vou sentir falta deles e sei que eles sentirão minha falta. Meus pais moram há uns setecentos km daqui, eu sei que os cães ficarão bem mas, mesmo assim, estou triste.
Esta noite sonhei que eles pediam para não ir.
[Nesta foto: Eu e Karina com Amendoim e Bianca - de costas]
Meus cães mais novos, a Bianca e o Amendoim, de 4 anos de idade, não estão adaptando-se ao apartamento. Eles querem liberdade. Querem poder ir e vir, querem poder ir e poder ficar. Decidi que vou levá-los para os meus pais, que moram em casa. O detalhe é que vou morrer de saudades dos meus bichinhos, que vi nascer, que pego no colo desde o início de suas vidas. Vou sentir falta deles e sei que eles sentirão minha falta. Meus pais moram há uns setecentos km daqui, eu sei que os cães ficarão bem mas, mesmo assim, estou triste.
Esta noite sonhei que eles pediam para não ir.
Marcadores:
Animais de Estimação,
Bianca,
João Amendoim,
Tristeza Não Tem Fim
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Feliz Mudança
Desde o início do ano eu sentia-me muito cansada, física e emocionalmente, com as idas e vindas, pequenas viagens, diga-se, da casa onde morava até o "centro" da cidade, se for possível dizer que Brasília tem um "centro". Para os que aqui moram, região central do plano ou, mais especificamente arredores do SCS, ou SBS e até, por que não, arredores da UnB.
O trânsito, a distância, o tempo gasto diariamente com função "motorista, mãetorista, leva-e-traz" esgotou-me. Quis mudar. Daí veio a grande dúvida, mudar para onde? Estou tão bem acomodada aqui, nesta casa ma-ra-vi-lho-sa, enorme, silenciosa. É tão bom morar aqui! Eu, a família e meus bichinhos de estimação (4 gatos e 3 cães). Como ir para um apartamento?
Foram meses de dúvida. Medo. Indecisão. Queria ir para ficar mais perto de tudo e gastar menos tempo no trânsito, mas como poderia ter as vantagens da casa morando num apartamento, que mesmo não sendo pequeno, já é apenas 1/3 do tamanho da casa? E como fazer com a falta de quintal e liberdade para os animaizinhos? E o silêncio, tanto diurno quanto noturno? E a paz, o sossego e a tranquilidade que a distância proporciona?
Não foi fácil decidir e encarar o medo do arrependimento. Confesso: não tenho dormido bem por causa do barulho. Confesso, às vezes me estresso por ter que sair cedo para dar aquela voltinha básica com os cães no campinho. Confesso que limpar caca de gato na caixinha de areia também não é agradável. Ou seja, não está sendo 100% fácil. Mas, como já disse alguém por aí, a vida adulta não é feita de facilidades.
Por outro lado, confesso que sinto-me tão mais aliviada por não ter que encarar 30 ou 40 minutos de trânsito em cada ida ou vinda e que não preciso mais fazer isso de 4 a 6 vezes ao dia... em troca, faço pequenas viagens de 15 minutos, quando muito, 4 vezes. Aliviada por não encarar trânsito lento ou parado, ou por não ter que "fazer hora" na rua porque o tempo entre uma atividade e outra não compensa a ida e a vinda até em casa. Agora compensa.
Aliviada e feliz. Feliz por fazer novos amigos. Gente, como aqui a vizinhança é amigável. Donos de cães encontram-se no campinho, e nesta já conheci uma pá. Sílvia, Alberto, Tomie, Nina e Norton, Edson, Karina e Marli, os donos do Robusto (que não perguntei o nome) e assim vai. É difícil haver um dia que não faça contato com uma nova pessoa, que não queira agradecer a Deus, novamente, por ter colocado este imóvel na minha lista de busca. E que tenha dado certo, apesar de ter que apertar mobília de 340 m2 em pouco mais de 120 m2. Ok. Muita coisa foi doada, muita coisa foi desapegada... mas isso é tão bom!!! Livrar-se do desnecessário, doar o pouco usável e respirar novos ares.
A mudança de endereço é boa. Deu-me uma nova perspectiva visual (do térreo para o sexto andar) e também uma nova vida. Uma nova forma de viver, aprendendo a viver em apertamento, digo, apartamento... Mas tendo mais e mais pessoas com quem conversar, saindo do isolamento que a minha enorme ex-casa proporcionava.
Ah, no campinho tem Tai Chi Chuan todos os dias pela manhã. Tô criando coragem para começar a ir. E também vou aprender a dormir com o barulho...
O trânsito, a distância, o tempo gasto diariamente com função "motorista, mãetorista, leva-e-traz" esgotou-me. Quis mudar. Daí veio a grande dúvida, mudar para onde? Estou tão bem acomodada aqui, nesta casa ma-ra-vi-lho-sa, enorme, silenciosa. É tão bom morar aqui! Eu, a família e meus bichinhos de estimação (4 gatos e 3 cães). Como ir para um apartamento?
Foram meses de dúvida. Medo. Indecisão. Queria ir para ficar mais perto de tudo e gastar menos tempo no trânsito, mas como poderia ter as vantagens da casa morando num apartamento, que mesmo não sendo pequeno, já é apenas 1/3 do tamanho da casa? E como fazer com a falta de quintal e liberdade para os animaizinhos? E o silêncio, tanto diurno quanto noturno? E a paz, o sossego e a tranquilidade que a distância proporciona?
Não foi fácil decidir e encarar o medo do arrependimento. Confesso: não tenho dormido bem por causa do barulho. Confesso, às vezes me estresso por ter que sair cedo para dar aquela voltinha básica com os cães no campinho. Confesso que limpar caca de gato na caixinha de areia também não é agradável. Ou seja, não está sendo 100% fácil. Mas, como já disse alguém por aí, a vida adulta não é feita de facilidades.
Por outro lado, confesso que sinto-me tão mais aliviada por não ter que encarar 30 ou 40 minutos de trânsito em cada ida ou vinda e que não preciso mais fazer isso de 4 a 6 vezes ao dia... em troca, faço pequenas viagens de 15 minutos, quando muito, 4 vezes. Aliviada por não encarar trânsito lento ou parado, ou por não ter que "fazer hora" na rua porque o tempo entre uma atividade e outra não compensa a ida e a vinda até em casa. Agora compensa.
Aliviada e feliz. Feliz por fazer novos amigos. Gente, como aqui a vizinhança é amigável. Donos de cães encontram-se no campinho, e nesta já conheci uma pá. Sílvia, Alberto, Tomie, Nina e Norton, Edson, Karina e Marli, os donos do Robusto (que não perguntei o nome) e assim vai. É difícil haver um dia que não faça contato com uma nova pessoa, que não queira agradecer a Deus, novamente, por ter colocado este imóvel na minha lista de busca. E que tenha dado certo, apesar de ter que apertar mobília de 340 m2 em pouco mais de 120 m2. Ok. Muita coisa foi doada, muita coisa foi desapegada... mas isso é tão bom!!! Livrar-se do desnecessário, doar o pouco usável e respirar novos ares.
A mudança de endereço é boa. Deu-me uma nova perspectiva visual (do térreo para o sexto andar) e também uma nova vida. Uma nova forma de viver, aprendendo a viver em apertamento, digo, apartamento... Mas tendo mais e mais pessoas com quem conversar, saindo do isolamento que a minha enorme ex-casa proporcionava.
Ah, no campinho tem Tai Chi Chuan todos os dias pela manhã. Tô criando coragem para começar a ir. E também vou aprender a dormir com o barulho...
Apertadinho apartamento.
Marcadores:
Casa Nova,
Felicidade,
Mudar
Local:
Brasília, DF, Brasil
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Ave Maria
Ave Maria
(Franz Shubert)
Ave Maria
Gratia plena
Maria, gratia plena
Maria, gratia plena
Ave, ave dominus
Dominus tecum
Benedicta tu in mulieribus
Et benedictus
Et benedictus fructus ventris
Ventris tuae, Jesus.
Ave Maria
Gratia plena
Maria, gratia plena
Maria, gratia plena
Ave, ave dominus
Dominus tecum
Benedicta tu in mulieribus
Et benedictus
Et benedictus fructus ventris
Ventris tuae, Jesus.
Ave Maria
Ave Maria
Mater Dei
Ora pro nobis peccatoribus
Ora pro nobis
Ora, ora pro nobis peccatoribus
Nunc et in hora mortis
Et in hora mortis nostrae
Et in hora mortis nostrae
Et in hora mortis nostrae
Ave Maria
Marcadores:
Ave Maria,
Franz Shubert,
Luciano Pavarotti
domingo, 22 de maio de 2011
Nas Ondas de Uns Cabelos...
Soltos, ombros abaixo, os revoltos cabelos,
que te envolvem num longo e veludoso abraço;
é, como um rio negro, os seus negros novelos
rolam no vale em flor do teu brando regaço.
E, na louca embriaguez dos meus sentidos, pelos
cinco oceanos do sonho o meu roteiro faço,
a senti-los na mão, beijá-los e mordê-los,
até morrer de amor, sucumbir de cansaço!
E, pousando a cabeça em teu seio, que estua,
sinto um sono ligeiro, um sussuro de brisa,
que me suspende ao céu e pelo céu flutua...
E, num sonho feliz, como num mar profundo,
a minh'alma desliza, a minh'alma desliza,
como as naus de Colombo, à procura de um Mundo...
Batista Cepelos
* Cutia/SP, 1872
+ Rio de Janeiro/RJ, 1915
Nada é para sempre...
Mas as imagens e os sons perpetuam um momento. E eu sou apaixonada por este momento:
Marcadores:
Alx Rose,
Guns N' Roses,
November Rain,
Slash
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Fanatismo
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."
Florbela Espanca
* 8 de dezembro de 1894 - Vila Viçosa, Portugal
+ 8 de dezembro de 1930 - Foz do Douro
Quem tem fome de vida detesta fazer regime
Quem tem fome de vida detesta fazer regime.
Não gosta de sonho "diet",
destesta destino "light",
seus desejos não têm baixas calorias.
Pode até malhar a saudade,
jamais emagrece a vontade.
Esquece a dieta
frente à tanta comida:
um prato cheio de vida.
Assinar:
Postagens (Atom)




