quarta-feira, 24 de abril de 2013

domingo, 10 de março de 2013

Quando a hora...




Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
        Contra a foice do tempo é vão combate,
        Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.


William Shakespeare


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Drummond, o poeta do tempo presente

[Texto publicado em MAKTUB Jornal Cultural, Ano I, número 02, em fevereiro de 2013, página 3]


"O artista não sabe que o mundo existe fora da arte; por isso atreve-se a criar."

No dia 31 de outubro de 1902, "um anjo torto, desses que vivem nas sombras" apareceu em Itabira do Mato Dentro (MG) só para dizer:"Vai Carlos! ser gauche na vida". Nascia Carlos Drummond de Andrade, o nono filho do fazendeiro Carlos de Paula Andrade e de sua mulher, Julieta Augusta Drummond de Andrade.

Educado inicialmente em Belo Horizonte, mudou-se para o Rio de Janeiro onde se tornou interno do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, aos 16 anos. Ali ganhou prêmios literários, mas foi expulso em 1919 por "insubordinação mental", após discutir com o professor de Português.

De volta a Belo Horizonte, passou a escrever como colaborador para o jornal 'Diário de Minas'. Devido à insistência da família para que obtivesse um diploma, Drummond concluiu o curso de Farmácia em 1925, mas não exerceu a profissão alegando querer "preservar a saúde dos outros". No mesmo ano casou-se com Dolores Dutra de Morais.

Cansado de ser professor de Geografia e Português em Itabira, onde: "Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham", retornou para Belo Horizonte em 1926.

Ingressou no serviço público em 1934, como chefe de gabinete do então Ministro da Educação e Saúde Pública, Gustavo Capanema, o que o levou a se mudar para o Rio de Janeiro com a esposa e a única filha, Maria Julieta. Ali continuou sua colaboração em diversos jornais. Após a saída do ministro, foi trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962.

Admirado, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 1987, 12 dias após a morte de sua filha única e grande companheira, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

O Urso Polar, apelido que Carlos Drummond deu a si próprio em referência à sua vontade de se isolar do mundo das celebridades e se recusar a dar entrevistas, já foi retratado como personagem no cinema e na televisão e teve sua efígie impressa nas notas de NCz$ 50,00 (cinqüenta cruzados novos) em circulação no Brasíl entre 1988 e 1990.

Há, ainda, representações em esculturas do escritor, tais como as estátuas 'O Pensador', na praia de Copacabana no Rio de Janeiro, e 'Dois Poetas', na cidade de Porto Alegre, além de um memorial na cidade de Itabira.

Assim como os óculos de sua estátua carioca, roubados sete vezes, na homenagem gaúcha, onde se vê, em pé, Carlos Drummond de Andrade, e sentado, Mário Quintana, Drummond tinha um livro de bronze nas mãos, que também foi roubado. As pessoas agora sempre colocam um livro nas mãos da estátua.

Seus textos, sejam eles poesia ou crônicas, ao retratar as aspirações e angústias cotidianas, parecem falar ao coração de cada leitor. Muitos recorrem aos seus versos para dizer que: "no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho" e, diante de uma situação complicada, se perguntam: "E agora, José?".

"Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, 
não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo
mais vasto é meu coração."




Por: Tatyana Nunes Lemos

sábado, 19 de janeiro de 2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

Não te Quero...



Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.

Te quero só porque a ti te quero,
te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
e a medida de meu amor viageiro
é não ver-te e amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz de janeiro
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.

Nesta história só eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor a sangue e fogo.


Pablo Neruda

Mais Mudanças

Mais de um ano sem postar uma linha. Muitas mudanças neste período. Mudei-me novamente de endereço, separei-me de muitas coisas, voltei ao formal mercado de trabalho e estou muito feliz, apesar das curvas.
É tempo de voltar aos meus poemas e às minhas músicas. É tempo de voltar às coisas que gosto muito e, uma delas, é a este blog.

Sejamos todos bem-vindos!
E que 2013 seja um ano de muitas vitórias!