quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Súplica



Eu te peço, hoje,
Que não me deixe morrer.
Que não deixe esmaecer minha vida
E apagá-la de minha pele.
Eu te peço que entenda o meu sentir
O meu ser
O meu viver.
Peço que enxergue além
Das letras e da voz
Da cor e do momento.
Peço que veja o quão frágil sou
O quão entregue estou
O quanto quero seu abraço.
Veja através da fina voz
Que meu desejo é suave
Tanto quanto o orvalho da manhã
Que cobre as folhas de meu jardim
Meu desejo é denso
Tanto quanto a névoa de meus amanheceres
No alto deste planalto,
Meu desejo envolve-me
Como a brisa em uma praia
Como o murmúrio das águas
Nas rochas que não desfizeram-se em grãos...
Mas também perceba
Que meu desejo torná-se-à impiedoso
Torná-se-à avassalador e desenfreado
Como a rocha líquida que ferve e escorre
De montanhas vulcânicas e esquecidas.
...E eu tenho um Vesúvio dentro de mim.
Então, te peço
Não deixe-me à sorte
Não permita-me a morte
Dá-me o teu sorriso
Estenda-me tuas mãos
Permita que meus olhos mergulhem nos seus
E tome para si um pouco da minha essência
Multiplicando-a
E derramando-a sobre nossos poros
Envolvendo minha vida
Como um mergulho no oceano.



Ana Borzan


* * *

Sem nenhuma lucidez, acordar e escrever. Apenas isso, pedir a ti que não me esqueça. Uma súplica insana, silenciosa e indireta.

* * *

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Oração do Guerreiro da Selva

[foto: http://foradefoco.blogger.com.br/]


Senhor,

Tu que ordenaste ao guerreiro da selva:
"Sobrepujai todos os vossos oponentes!"
Dai-nos hoje da floresta:
A sobriedade para persistir,
A paciência para emboscar,
A perseverança para sobreviver,
A astúcia para dissimular,
A fé para resistir e vencer,
E dai-nos também, Senhor,
A esperança e a certeza do retorno.
Mas, se defendendo esta brasileira Amazônia,
Tivermos que perecer, ó Deus!
Que o façamos com Dignidade e mereçamos a Vitória.
SELVA!!!


* * *

Aos bravos Guerreiros dos BIS que defendem nossa Pátria.

* * *

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Irreversível


Inspiraste canção a mais sincera;
Recriaste o poema em tons inéditos;
Reclamaste em silêncio, por teus méritos,
Esse verso, essa rima, essa quimera.

Vi nascer novamente em minha pena,
Em torrentes, um verso sem retorno,
Recorrente, de novo um verso novo,
Sem igual na poética terrena.

Ímpio amor que flutua imprevisível!
Voa agora no reino da lembrança;
E o poeta, a sofrer sem esperança,
Lembra a dor de um amor irreversível...
.
.
Ederson Peka

Sempre



Sempre de nós dois, haverá de fluir encanto.
Mesmo os ínfimos, desde os primos abraços
Desmedidos pois, incessantes, no entanto.
Eternos, o são, resíduos de nossos laços
.
Sempre haverá, de ti, uma saudade infinita
Do teu perfume, do hálito e da tua saliva;
O pulsar de tuas veias, a lembrança excita,
Da tua boca, o beijo, a língua a deriva.

Sempre haverá um ninho doce, a espera
De nós dois, ímpetos consumados ao calor.
Em mim, o alado corcel a mercê de uma fera

Que espreita, ao faro do néctar, que lhe dera.
Descrever-te, seria, assim, o vislumbre do furor.
Em ti, a felina, entretanto ao cio, doce pantera.


Carlos Orlando