quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fanatismo



Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida


Meus olhos andam cegos de te ver!

Não és sequer razão de meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida!



Não vejo nada assim enlouquecida...

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No misterioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!



"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!



E, olhos postos em ti, vivo de rastros:

"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: princípio e fim!..."



 
 
Florbela Espanca
* 8 de dezembro de 1894 - Vila Viçosa, Portugal
+ 8 de dezembro de 1930 - Foz do Douro

Nenhum comentário:

Postar um comentário