quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Como imperfeito ator...




Como imperfeito ator que em meio à cena

O seu papel na indecisão recita,

Ou como o ser violento em fúria plena

A que o excesso de forças debilita;

Também eu, sem confiança em mim, me esqueço

No amor de os ritos próprios recitar,

E na força com que amo me enfraqueço

Rendido ao peso de poder amar.

Oh! sejam pois meus livros a eloqüência,

Áugures mudos do expressivo peito,

Que amor implore, peçam recompensa,

Mais do que a voz que muito mais tem feito.

Saibas ler o que o mudo amor escreve,

Que o fino amor ouvir com os olhos deve.



William Shakespeare

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