quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Súplica



Eu te peço, hoje,
Que não me deixe morrer.
Que não deixe esmaecer minha vida
E apagá-la de minha pele.
Eu te peço que entenda o meu sentir
O meu ser
O meu viver.
Peço que enxergue além
Das letras e da voz
Da cor e do momento.
Peço que veja o quão frágil sou
O quão entregue estou
O quanto quero seu abraço.
Veja através da fina voz
Que meu desejo é suave
Tanto quanto o orvalho da manhã
Que cobre as folhas de meu jardim
Meu desejo é denso
Tanto quanto a névoa de meus amanheceres
No alto deste planalto,
Meu desejo envolve-me
Como a brisa em uma praia
Como o murmúrio das águas
Nas rochas que não desfizeram-se em grãos...
Mas também perceba
Que meu desejo torná-se-à impiedoso
Torná-se-à avassalador e desenfreado
Como a rocha líquida que ferve e escorre
De montanhas vulcânicas e esquecidas.
...E eu tenho um Vesúvio dentro de mim.
Então, te peço
Não deixe-me à sorte
Não permita-me a morte
Dá-me o teu sorriso
Estenda-me tuas mãos
Permita que meus olhos mergulhem nos seus
E tome para si um pouco da minha essência
Multiplicando-a
E derramando-a sobre nossos poros
Envolvendo minha vida
Como um mergulho no oceano.



Ana Borzan


* * *

Sem nenhuma lucidez, acordar e escrever. Apenas isso, pedir a ti que não me esqueça. Uma súplica insana, silenciosa e indireta.

* * *

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